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FESTIVAL INTERNACIONAL DE LINGUAGEM ELETRÔNICA
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A ANARCO-CULTURA
RICARDO BARRETO
VIAJANDO PELAS NOVAS MÍDIAS
PAULA PERISSINOTTO

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Diante das poucas obras “midiáticas” e das diversas tendências que cada uma mostrava, aquilo que realmente surpreendeu foi a dominante dos vídeos documentários que a mostra exibiu. Parece que o tempo nas artes visuais é um tempo esticado. Foram necessários 30 anos a partir das primeiras experiências em vídeo-arte para que a nova linguagem fosse incorporada pelo “main-stream” das artes visuais. Não que este período deva ser visto como uma defasagem, mas talvez como uma conseqüência de um processo de amadurecimento ou até mesmo de uma sintonização dos conflitos conceituais que legitimam as grandes exposições. Muito prova-velmente a grande maioria do público que visitou a Documenta 11 sentiu falta das pinturas, que quase não havia, e das tradicionais instalações, que também já se mostraram escassas. As salas de vídeos que exigem do espectador um tempo muito maior do que se está habituado a dispor para uma obra de arte em exposições talvez seja o indício de um caminho de transformação.

 

A transformação do visitante é tão importante quanto a da arte. Para mudanças efetivas, a sociedade deve incorporar novos conceitos. A televisão teve um papel importante na incorporação da vídeo-arte pela sociedade. O tempo para modificar uma cultura é longo porque mudar é complexo. Uma mudança envolve desapego às refe-rências passadas, renúncia às formulas tradicionais, mudanças de hábitos. A transformação verdadeira só é possível através das gerações futuras. Contudo, dentro desse tempo esticado, a Documenta 11 e seus documen-tários desenharam um caminho novo. Uma nova forma de se ver exposições, pois, quem sabe, a partir daí, po-derão ser propostas obras interativas mais efetivas, em que o público deixará a contemplação e passará a mani-pulá-las, imergir em simulações, usar luvas e máscaras para vivenciar a obra de arte até mesmo sem sair de casa. Esse tipo de mudança requer tempo para ser di-gerida e compreendida.
Então como ficam os artistas experimentais que já estão tateando este futuro distante?