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Diante das poucas obras midiáticas e das diversas tendências
que cada uma mostrava, aquilo que realmente surpreendeu foi a dominante dos vídeos
documentários que a mostra exibiu. Parece que o tempo nas artes visuais
é um tempo esticado. Foram necessários 30 anos a partir das primeiras
experiências em vídeo-arte para que a nova linguagem fosse incorporada
pelo main-stream das artes visuais. Não que este período
deva ser visto como uma defasagem, mas talvez como uma conseqüência
de um processo de amadurecimento ou até mesmo de uma sintonização
dos conflitos conceituais que legitimam as grandes exposições. Muito
prova-velmente a grande maioria do público que visitou a Documenta 11 sentiu
falta das pinturas, que quase não havia, e das tradicionais instalações,
que também já se mostraram escassas. As salas de vídeos que
exigem do espectador um tempo muito maior do que se está habituado a dispor
para uma obra de arte em exposições talvez seja o indício
de um caminho de transformação.
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A transformação do visitante é tão importante quanto
a da arte. Para mudanças efetivas, a sociedade deve incorporar novos conceitos.
A televisão teve um papel importante na incorporação da vídeo-arte
pela sociedade. O tempo para modificar uma cultura é longo porque mudar
é complexo. Uma mudança envolve desapego às refe-rências
passadas, renúncia às formulas tradicionais, mudanças de
hábitos. A transformação verdadeira só é possível
através das gerações futuras. Contudo, dentro desse tempo
esticado, a Documenta 11 e seus documen-tários desenharam um caminho novo.
Uma nova forma de se ver exposições, pois, quem sabe, a partir daí,
po-derão ser propostas obras interativas mais efetivas, em que o público
deixará a contemplação e passará a mani-pulá-las,
imergir em simulações, usar luvas e máscaras para vivenciar
a obra de arte até mesmo sem sair de casa. Esse tipo de mudança
requer tempo para ser di-gerida e compreendida.
Então como ficam os artistas experimentais que já estão tateando
este futuro distante?
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