|
|
|
A conexão tempo-espaço-temporal
(tempo catatônico), e as intensidades livres "anarche" inauguram
uma nova forma de experimentação e libertação cultural.Os
Mass mídias, por outro lado, como produtores da "cultura de massa"
impuseram uma forma linear de temporalidade às massas, escravizando-as
através de um fluxo contínuo e ininterrupto de signos despotencializantes,
produzindo uma desvalorização do público e da cultura.O tempo
linear foi o responsável pela massificação generalizada do
público moderno e por uma visão meta-narrativa da história.Uma
mentalidade complexa e anárquica se impõe à cultura contemporânea:
a anarco-cultura. Ela ocorre, quando a autoridade cultural não pode mais
exercer nenhum poder sobre as manifestações culturais ou sobre os
seus produtores; quando os seus produtos não são mais comercializados;
quando o valor do produto cultural não repousa sobre a sacralização
ou sobre a propriedade, mas na sua capacidade de potencializar os agentes que
com ele se conectam;
|
|
quando o produtor cultural liberta-se
de seu ego, liberta-se de seu nome, liberta-se da pretensão inócua
de entrar para a história e, então, ao se desterritorializar pode
participar de um plano mais complexo, onde o sentido construído pelo autor
é substituído pelas estratégias de múltiplos sentidos
em co-autoria com seus interagentes; quando o produto cultural deixa de ser linear
e analógico e passa a ser um sistema ubíquo de complexidade interativa
enfatizando seus aspectos imersivos e bioculturais, tornando-se, portanto, máquina
de transformação cultural; quando não há mais o mundo
próprio das artes, das ciências ou de qualquer outra disciplina,
mas o jogo livre entre seus códigos, o jogo livre das diagonais que atravessam
todos os planos, todas as disciplinas e que entrelaçam as multiplicidades
heterogêneas num jogo livre das conexões. O anarco-culturalismo é
a cultura do estado de natureza da redes digitais (ciber-natureza/cultura digital),
ele é pré-estatal, pré-contratual, pré-direitos e
pré -deveres. |