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Um exemplo ilustrativo desta situação
de suspensão temporal aparece na obra de Richard Serra intitulada "One-Ton-Prop
(House of Cards)" onde quatro chapas de ferro estão encostadas uma
nas outras de tal maneira que elas permanecem em pé pela tensão
recíproca entre elas, esta tensão foi chamada de prop. A grande
novidade desta escultura é que ela não mais habita somente o espaço,
mas também o tempo, ela só existe enquanto suas partes permanecem
encostadas umas nas outras, contudo o tempo não é sentido como passando,
mas como em suspenso.Esta obra faz uma mistura entre o espaço e o tempo
e apresenta uma nova dimensão espaço-temporal. Outro exemplo do
tempo-espaço-prop são as telas dos computadores digitais, manipuladas
pela invenção de Doug Engelbart, que permanecem num estado de suspensão
temporal na espera que a interação do usuário salte para
uma outra órbita. A interação pressupõe a epoqué
temporal, pois sem ela estaríamos presos num fluxo contínuo; estaríamos
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escravos do automatismo temporal linear
analógico,
pois nunca houve nada de libertário nos mídias analógicos;
estaríamos escravos do tempo crônico, lembremo-nos das revoluções(epoqué
histórica), quando, contra o tempo opressor, os relógios eram quebrados.
Suspensão e salto são as duas faces do tempo catatônico. A
suspensão é o momento estratégico das decisões, das
volições e dos desejos. Ela pode durar o tempo todo ou uma fração
imperceptível. Por outro lado o salto se dá no fluxo temporal que
traz em si a possibilidade da suspensão a qualquer momento, ocasionando
uma transformação na natureza do tempo e do que ocorre nele, produzindo
uma indeterminação quanto à direção temporal;
são os devires, contudo o salto também pode ser clônico ocasionando
múltiplas direções temporais interconectadas. No mundo digital
elas puderam ocorrer, através das linkagens múltiplas entre as órbitas,
ou através das janelas múltiplas sobreponíveis desenvolvidas
por Alan Kay. |