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A identidade sofre um atentado, ela se
torna uma outra coisa. Pierre Menard, autor de Dom Quixote de Borges e as fotos
de Sherrie Levine ilustram o atentado à autoria e demonstram a transformação
paradoxal que recebe a obra por eles replicada. Nenhuma obra será a mesma
depois de replicada (Clone-Cultural). A replicação continua do outro
e de si (Auto-Poesis Cultural + Alteridade Cultural) destroem o original, para
transformá-lo numa multiplicidade liberta da "arche". No anarco-culturalismo
toda produção cultural está ali para ser replicada, alterada,
dilacerada, esquartejada e contaminada; todos poderão fazer "arte",
todos poderão fazer música, basta "destruí-las"
(replicação,sampling); o objetivo do anarco-culturalismo é
o
fazer e a experimentação do OUTRO absoluto. No universo da alteridade
tanto o tempo
como o espaço se tornam não lineares e não homogêneos:
pré-tempo, pré-espaço. Não há mais uma unidade
de espaço, uma substância espacial ou uma forma
espacial.
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No pré-espaço, no qual
a "arche" foi retirada como elemento constituinte, só resta o
anarco-espaço, cujas dimensões inexatas se conectam infinitamente
entre si; a extensão ao tornar-se virtual liquefaz a solidez geometrizante,
criando um estranho elo entre o tempo e o espaço, ou o que poderia ser
chamado de tempo
catatônico(anarco-tempo-virtual). Ele é o tempo das redes não
lineares, numa conexão estreita de tempo e de espaço virtual. Nem
continuidade seqüencial ou
simultânea, nem instantes atomizados limitantes, mas paradas estratégicas
(epoqué temporal), onde o tempo passa sem nada passar e zapeamento de fluxo
descontínuo, neste caso há um salto temporal, onde o tempo não
passa, passando todas as velocidades. A epoqué temporal se dá quando
o tempo replica-se a si mesmo aparecendo então como tempo ausente, ele
se torna espacial, quanto maior for a velocidade da replicação temporal,
mais espacial ele parecerá. |