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FESTIVAL INTERNACIONAL DE LINGUAGEM ELETRÔNICA
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A ANARCO-CULTURA
RICARDO BARRETO

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VIAJANDO PELAS NOVAS MÍDIAS
PAULA PERISSINOTTO
  A identidade sofre um atentado, ela se torna uma outra coisa. Pierre Menard, autor de Dom Quixote de Borges e as fotos de Sherrie Levine ilustram o atentado à autoria e demonstram a transformação paradoxal que recebe a obra por eles replicada. Nenhuma obra será a mesma depois de replicada (Clone-Cultural). A replicação continua do outro e de si (Auto-Poesis Cultural + Alteridade Cultural) destroem o original, para transformá-lo numa multiplicidade liberta da "arche". No anarco-culturalismo toda produção cultural está ali para ser replicada, alterada, dilacerada, esquartejada e contaminada; todos poderão fazer "arte", todos poderão fazer música, basta "destruí-las" (replicação,sampling); o objetivo do anarco-culturalismo é o
fazer e a experimentação do OUTRO absoluto. No universo da alteridade tanto o tempo
como o espaço se tornam não lineares e não homogêneos: pré-tempo, pré-espaço. Não há mais uma unidade de espaço, uma substância espacial ou uma forma
espacial.
  No pré-espaço, no qual a "arche" foi retirada como elemento constituinte, só resta o anarco-espaço, cujas dimensões inexatas se conectam infinitamente
entre si; a extensão ao tornar-se virtual liquefaz a solidez geometrizante, criando um estranho elo entre o tempo e o espaço, ou o que poderia ser chamado de tempo
catatônico(anarco-tempo-virtual). Ele é o tempo das redes não lineares, numa conexão estreita de tempo e de espaço virtual. Nem continuidade seqüencial ou
simultânea, nem instantes atomizados limitantes, mas paradas estratégicas (epoqué temporal), onde o tempo passa sem nada passar e zapeamento de fluxo descontínuo, neste caso há um salto temporal, onde o tempo não passa, passando todas as velocidades. A epoqué temporal se dá quando o tempo replica-se a si mesmo aparecendo então como tempo ausente, ele se torna espacial, quanto maior for a velocidade da replicação temporal, mais espacial ele parecerá.