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08.06.2002 08:40 DEUTSCHE BAHN FRANKFURT MAIN/ KASSEL
Em oito de junho, é inaugurada a décima primeira edição
da maior mostra de arte contemporânea do mundo, a Documenta de Kassel, com
curadoria diferente a cada ano. Nesse ano, a curadoria é de Okwui Enwezor,
contando com a colaboração de uma equipe de seis co-curadores: Carlos
Basualdo, Ute Meta Bauer, Susanne Chez, Sarat Maharaj, Mark Nash e Otavio Zaya.
A exposição apresenta obras de 116 artistas. Por tratar-se da primeira
grande mostra do século XXI, a expectativa de ver arte tecno-lógica
é enorme. Os vídeos documentários dominam a mostra. Em sua
maioria, documentam situações com abordagens sobre políticas
globais ou questões exis-tenciais. Os documentários, produzidos
através da poética de cada artista, têm a sua magia e demandam
do es-pectador um jeito diferente de serem apreciados. Não basta o passeio
fluído pelas obras.
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Elas exigem atenção, tempo e envolvimento do visitante. O trabalho
intitulado Countennace 2002 de Fiona Tram, artista nascida na Indonésia
em 1966, que vive em Amsterdã, tem uma sensibilidade especial. Ela consegue
passar o mundo em que vive, o que ela enxerga, o que ela anseia, através
de imagens fotográficas da expressão facial das pessoas que vivem
ao seu redor. Fiona envolve o espectador que, sem perceber, acaba ficando horas
imerso em sua poesia visual. A obra, com duração de 90 minutos,
não é uma proposta interativa, pois o espectador não tem
o poder de interferir em nada. Um sistema analógico de projetores de vídeos
e de slides é usado como meio de expressão, mas o comportamento
que é exigido do espectador também não é meramente
contemplativo. Sem enredo, sem começo e sem fim, o visitante é convidado
para uma imersão na poética que a artista construiu.
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