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A ANARCO-CULTURA
RICARDO BARRETO
VIAJANDO PELAS NOVAS MÍDIAS
PAULA PERISSINOTTO

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08.06.2002 – 08:40 – DEUTSCHE BAHN – FRANKFURT MAIN/ KASSEL
Em oito de junho, é inaugurada a décima primeira edição da maior mostra de arte contemporânea do mundo, a Documenta de Kassel, com curadoria diferente a cada ano. Nesse ano, a curadoria é de Okwui Enwezor, contando com a colaboração de uma equipe de seis co-curadores: Carlos Basualdo, Ute Meta Bauer, Susanne Chez, Sarat Maharaj, Mark Nash e Otavio Zaya. A exposição apresenta obras de 116 artistas. Por tratar-se da primeira grande mostra do século XXI, a expectativa de ver arte tecno-lógica é enorme. Os vídeos documentários dominam a mostra. Em sua maioria, documentam situações com abordagens sobre políticas globais ou questões exis-tenciais. Os documentários, produzidos através da poética de cada artista, têm a sua magia e demandam do es-pectador um jeito diferente de serem apreciados. Não basta o passeio fluído pelas obras.

 

Elas exigem atenção, tempo e envolvimento do visitante. O trabalho intitulado “Countennace 2002” de Fiona Tram, artista nascida na Indonésia em 1966, que vive em Amsterdã, tem uma sensibilidade especial. Ela consegue passar o mundo em que vive, o que ela enxerga, o que ela anseia, através de imagens fotográficas da expressão facial das pessoas que vivem ao seu redor. Fiona envolve o espectador que, sem perceber, acaba ficando horas imerso em sua poesia visual. A obra, com duração de 90 minutos, não é uma proposta interativa, pois o espectador não tem o poder de interferir em nada. Um sistema analógico de projetores de vídeos e de slides é usado como meio de expressão, mas o comportamento que é exigido do espectador também não é meramente contemplativo. Sem enredo, sem começo e sem fim, o visitante é convidado para uma imersão na poética que a artista construiu.