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Não estamos mais na época
do "pós", mas do "pré". A teoria das redes não-lineares
e a anarco-cultura exigem uma instância pré-conceitual; pré-formal;
pré-filosófica; pré-metafísica; pré-estrutural;
pré-histórica, sem as quais não nos libertaremos dos conceitos,
das formas, das filosofias, das metafísicas, das estruturas e da história.
Esta região "pré" é a instância das intensidades
livres, onde nenhuma "arche"pode sobreviver ou se instalar; ela não
tem nem início, nem princípio, pois sua natureza é pura imanência,
pré-sujeito e pré-objeto, um prelúdio filosófico virtual.
De outra maneira, Deus, idéias, princípios, axiomas, conceitos,
fundamentos, causas, egos, estados políticos são seres advindos
de uma metafísica milenar fundamentada na "arche", onde o início
é um princípio, fundamento do sistema que se pretende instalar.
São pontos coaguladores e centralizadores de poder monopolizador há
muito introjetados e fixados em nossas mentes (idéias fixas). |
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Quando nos libertaremos definitivamente
da herança platônica e aristotélica? A pré-filosofia
concebe uma outra paisagem, cuja natureza é de imanência anárquica
por excelência. Paisagem sem pontos gravitacionais de poder centralizador,
de velocidades multiplicadas conectadas em redes dinâmicas, cujos pontos
não são pontos, mas outra redes dinâmicas, constituindo um
topos inexato pré-metafísico, por onde, as intensidades fluem recriando
heterogeneamente a si próprias. Desta maneira a anarco-cultura, onde as
redes constituem sua vida, liberta-se dos pontos monopolizadores de poder, mas
também da visão hilemórfica do passado filosófico,
onde a forma sempre formatava a matéria. Nenhum conceito poderá
explicá-la, nenhuma forma poderá detê-la. Dir-se-á
que sua natureza é informal e pré-estrutural: pura performance,
pois as replicações e os sampleamentos das intensidades e dos códigos
impedem sua cristalização em conceitos, em formas ou em egos.
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