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A ANARCO-CULTURA
RICARDO BARRETO

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VIAJANDO PELAS NOVAS MÍDIAS
PAULA PERISSINOTTO
  Não estamos mais na época do "pós", mas do "pré". A teoria das redes não-lineares e a anarco-cultura exigem uma instância pré-conceitual; pré-formal; pré-filosófica; pré-metafísica; pré-estrutural; pré-histórica, sem as quais não nos libertaremos dos conceitos, das formas, das filosofias, das metafísicas, das estruturas e da história. Esta região "pré" é a instância das intensidades livres, onde nenhuma "arche"pode sobreviver ou se instalar; ela não tem nem início, nem princípio, pois sua natureza é pura imanência, pré-sujeito e pré-objeto, um prelúdio filosófico virtual. De outra maneira, Deus, idéias, princípios, axiomas, conceitos, fundamentos, causas, egos, estados políticos são seres advindos de uma metafísica milenar fundamentada na "arche", onde o início é um princípio, fundamento do sistema que se pretende instalar. São pontos coaguladores e centralizadores de poder monopolizador há muito introjetados e fixados em nossas mentes (idéias fixas).   Quando nos libertaremos definitivamente da herança platônica e aristotélica? A pré-filosofia concebe uma outra paisagem, cuja natureza é de imanência anárquica por excelência. Paisagem sem pontos gravitacionais de poder centralizador, de velocidades multiplicadas conectadas em redes dinâmicas, cujos pontos não são pontos, mas outra redes dinâmicas, constituindo um topos inexato pré-metafísico, por onde, as intensidades fluem recriando heterogeneamente a si próprias. Desta maneira a anarco-cultura, onde as redes constituem sua vida, liberta-se dos pontos monopolizadores de poder, mas também da visão hilemórfica do passado filosófico, onde a forma sempre formatava a matéria. Nenhum conceito poderá explicá-la, nenhuma forma poderá detê-la. Dir-se-á que sua natureza é informal e pré-estrutural: pura performance, pois as replicações e os sampleamentos das intensidades e dos códigos impedem sua cristalização em conceitos, em formas ou em egos.