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Na anarco-cultura, vive-se o jogo livre
de todos os códigos que ocorrem no mundo das redes, rompendo assim com
as instituições transcendentes baseadas na autoridade e
na unicidade, provocando uma heterogenização descontrolada que não
se pode capturar por nenhum aparelho. Ela se dá como uma máquina
de transformação cultural perpétua, onde a "autoridade
cultural" não pode mais exercer nenhum poder sobre as suas manifestações.
Pura conectividade que escapa dos conceitos, que escapa da autoridade, que escapa
daqueles que lhe querem impôr uma forma. Não espere epifanias ou
originalidades ontológicas, vanguardas heróicas ou teleologias da
emancipação, mas um mundo virtual prenhe de potencialidades onde
ocorre o jogo livre entre seus códigos, o jogo livre das diagonais que
atravessam todos os planos, todas as disciplinas e que entrelaçam as multiplicidades
heterogêneas num jogo livre das conexões.
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Replicações, samplings,
paráfrases, conexões estratégicas, reenvios heurísticos,
alteridades criadoras são os seus
modos de fazer. O novo, o velho nada destas coisas importam mais, ficaram no passado
longínquo da modernidade histórica. Estes objetivos perderam a sua
força, tornaram-se acadêmicos demasiadamente acadêmicos. Na
sociedade das redes virtuais vive-se uma necessidade imanente: a potencialização
indiscriminada de todas as suas micrológicas partes (NANO). Tudo será
potencializado ocasionando a extraordinária produção indeterminada
do absoluto; o controle e o descontrole se dão simultaneamente, porém
eles serão sempre assimétricos. Não mais o binômio
Estado/Revolução=Estado, mas Império/Atentado=Atentado, ou
seja, a instabilidade mundial e a imprevisibilidade temporal permanente. Assim
o "apeíron" anaximândrico pode coexistir na maquinação
virtual contemporânea de tal maneira que ele se torna a instância
pré-conceitual imanente de todas as redes virtuais. |