STEIN, Helga
NARKES

Narkes é um auto-retrato digital captado em vídeo. O título tem origem grega, e significa torpor. Originou o nome de Narciso, personagem da mitologia grega que preferia viver só, olhando o mundo através de um espelho entorpecedor, símbolo da permanecia em si mesmo. Também é o nome de uma planta, cuja flor bonita e de vida curta é venenosa.
Tratando não só do deslocamento do eu intermediado por máscaras, a construção/desconstrução de uma personagem e a tentativa de buscar sentido na experiência do cotidiano, típico dos auto-retratos, Narkes está impregnado da discussão digital da representação: o corpo apriosinado na tela de bordas claramente definidas, em um não-lugar desprovido de espacialidade, tratado com particular descaso.
Em Narkes, o interesse plástico gera desgaste do significado da figura pela repetição sistemática de movimentos mecanizados, desprovidos de emoção e pelo desfoque extremado.
Mais uma boneca do que um corpo vivo, que assume mobilidade restrita, fria e mórbida, o corpo videográfico é modulado, manipulado digitalmente e exposto de forma objetiva.
Apropriação, justaposição e fragmentação da própria imagem geram significados repletos de mistério e, descontextualizados, têm seu sentido original alterado em tênues fronteiras.
Helga Stein
Fotógrafa e designer gráfica, trabalha com o desenvolvimento de interfaces gráficas para web desde 1995. Vem desenvolvendo projetos para web com arquitetura de informação e navegação alternativas, relacionando espacialidade e inteligência visual no processo de construção de narrativas múltiplas e não lineares.
Graduada em Comunicação Visual pela Universidade Federal de Goiás, pós-graduada em Design de Hipermídia pela Universidade Anhembi Morumbi e mestranda do programa de Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

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