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NARKES
Narkes é um auto-retrato digital captado em vídeo. O título
tem origem grega, e significa torpor. Originou o nome de Narciso, personagem da
mitologia grega que preferia viver só, olhando o mundo através de
um espelho entorpecedor, símbolo da permanecia em si mesmo. Também
é o nome de uma planta, cuja flor bonita e de vida curta é venenosa.
Tratando não só do deslocamento do eu intermediado por máscaras,
a construção/desconstrução de uma personagem e a tentativa
de buscar sentido na experiência do cotidiano, típico dos auto-retratos,
Narkes está impregnado da discussão digital da representação:
o corpo apriosinado na tela de bordas claramente definidas, em um não-lugar
desprovido de espacialidade, tratado com particular descaso.
Em Narkes, o interesse plástico gera desgaste do significado da figura
pela repetição sistemática de movimentos mecanizados, desprovidos
de emoção e pelo desfoque extremado.
Mais uma boneca do que um corpo vivo, que assume mobilidade restrita, fria e mórbida,
o corpo videográfico é modulado, manipulado digitalmente e exposto
de forma objetiva.
Apropriação, justaposição e fragmentação
da própria imagem geram significados repletos de mistério e, descontextualizados,
têm seu sentido original alterado em tênues fronteiras. |
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