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O máximo em dar forma... é chegar ao amorfo
Sun Tzu
A Cultura da Imanência
Algo radical, para alguns ainda imperceptível, começa a surgir na
cultura mundial deixando atônitos até os mais sábios. Tratam-se
de mudanças profundas que vêm ocorrendo no seio das sociedades pós-modernas,
ocasionando transformações onde as consequências são
imprevisíveis e incomensuráveis. Vivesse no limiar de catástrofes
cujas mudanças de paradigmas escapam quanto a sua definição;
instituições até então sólidas pelo peso da
tradição histórica poderão desaparecer pelo sopro
das intempéries culturais. Em todas as disciplinas: das matemáticas
às artes,da biologia à economia, notam-se modificações
de sentimento profundo quanto às convicções até então
adquiridas, ocasionando uma crise generalizada na cultura contemporânea.
Permanece-se ainda sob o prisma histórico da cultura da transcendência,
porém seu predomínio se mostra ameaçado. Das idéias
platônicas, passando pela metafísica aristotélica, passando
pelo Leviatã hobbeseano, até os ideais teleológicos da modernidade,
a cultura da transcendência havia imposto a
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univalência e a supercodificação
às suas instituições e aos fluxos culturais que nela emergiram,
produzindo assim o estriamento de todos os seus aspectos culturais. Compartilhou
com todas as formas de soberania constituindo e consolidando seu poder através
de suas instituições culturais: academias, museus, universidades.
A cultura da transcendência era uma cultura para “poucos” em
detrimento dos “muitos”. Na sua versão moderna, entretanto,
agora sob o interesse do capital, ela inventou uma simulação cultural,
um engodo perverso que se chamou cultura da transcendência para as massas.
Esta pseudocultura, através dos meios de comunicação de massa,
sustentava a maioria dos comportamentos e princípios da cultura da transcendência
dos “poucos”, não havendo nenhuma modificação
quanto aos procedimentos supercodificantes impostos aos “muitos” agora
atomizados “culturalmente” e tragicamente desconectados entre si,
ligados apenas ao media analógico de informação unilateral,
na produção homogenizante de suas subjetividades. Tudo ocorria sustentado
pelo desenvolvimento tecnológico que parecia corroborar com a despotencialização
dos “muitos”, contudo a aceleração tecnológica
levou a uma dobragem catastrófica inesperada que rompeu com o sistema de
linearidade na qual se fundamentava a cultura da transcendência. Sistemas
não-lineares |
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começaram a emergir
por todos os lados. Matemáticas fractais, sistemas de complexidade dinâmica
, física do caos, micronarrativas e agonística das linguagens anunciavam
o fim do mundo linear provocando uma crise paradigmática no interior da
cultura da transcendência. Esta crise chamou-se pós-modernidade,
provavelmente o último movimento da cultura da transcendência. Apesar
de sua polivalência, ela era impotente para romper com as axiomáticas
transcendentes limitando-se a degladiar com a modernidade agonizante. Ela foi
um grito de desespero, todavia um grito morto. A multiplicação dos
sistemas não-lineares havia provocado um outro fenômeno paralelo
à pós-modernização: um conjunto de procedimentos chamados
de digitalização. Com ela a cultura da imanência pode proliferar
no cenário mundial. Na história da cultura ocidental diversas foram
as tentativas de suplantação da cultura da transcendência
em prol da imanência. Do deus como mundo dos estóicos e do espinosismo
ao espírito dionisíaco dos nietzscheanos, a tendência cultural
da imanência havia ficado marginal e relegada às margens da história,
mas com o advento das redes virtuais a tendência à imanência
pode pela primeira vez constituir um mundo para a sua ação. As produções
culturais on-line são as primeiras feitas num mundo virtual independente
e paralelo ao mundo físico-cultural, fora de |
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suas leis e fora de seus códigos,
mas fora também da cultura das artes transcendentes tal como a entendemos.
As redes virtuais constituem um plano de imanência. Elas são transcendentais.
Tanto as produções digitais como a cultura digital fazem parte do
plano de imanência cuja proliferação as precipitam numa potencialização
sem precedentes. Há um processo constante de heterogenização
que se dá principalmente por replicações livres e por procedimentos
de alteridade através de devires descodificados. Disto advém o principal
acontecimento da cultura da imanência que é o anarqui-culturalismo,
ele é o jogo livre entre todas as performances que ocorrem no mundo da
imanência, libertando-se das instituições transcendentes baseadas
na autoridade e na unicidade provocando por todos os lados um descontrole que
não se pode capturar. Deste modo, só podemos falar de "arte
digital" no sentido metafórico, pois no anarqui-culturalismo a "arte
digital" significa todas as demais disciplinas potencialmente intercruzadas
num processo de transcodificação. O anarqui-culturalismo ocorre,
quando a autoridade cultural não pode mais exercer nenhum poder sobre as
manifestações culturais ou sobre os seus produtores; quando os seus
produtos não são mais comercializados; quando o valor do produto
cultural não repousa sobre a sacralização ou sobre a propriedade,
mas na |
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sua capacidade de potencializar
os agentes que com ele se conectam; quando o produtor cultural liberta-se
de seu ego, liberta-se de seu nome, liberta-se da pretensão inócua
de entrar para a história e, então, ao se desterritorializar pode
participar de um plano mais complexo, onde o sentido construído pelo autor
é substituído pelas estratégias de múltiplos sentidos
em co-autoria com seus interagentes; quando o produto cultural deixa de ser linear
e analógico e passa a ser um sistema ubíquo de complexidade interativa
enfatizando seus aspectos imersivos e bioculturais, tornando-se portanto máquina
de transformação cultural; quando não há mais o mundo
próprio das artes, das ciências ou de qualquer outra disciplina,
mas o jogo livre entre seus códigos, o jogo livre das diagonais que atravessam
todos os planos, todas as disciplinas e que entrelaçam as multiplicidades
heterogêneas num jogo livre das conexões. A cultura da imanência
procede por replicação. Este é um acontecimento que aproxima
o mundo virtual das redes ao mundo da vida, tanto um quanto o outro são
digitais. Os clones; a auto-poesis; os vírus, são comuns a ambos
os mundos. A replicação é o seu modo de produção
e de invenção. A noção de que toda a vida evolui pela
sobrevivência diferencial de entidades replicadoras passa a ser comum à
cultura digital. Não são as espécies , os gêneros ou
as disciplinas que |
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importam, mas os genes digitais
pelas quais eles se replicam. Aqueles surgem dos códigos ; a errância,
e a recombinação, pelas mudanças topológicas possibilitando
a emergência de novos devires bioculturais, produzindo o fluxo inconstante
da bio-digital-esfera. A vida na cultura não é mais uma metáfora,
ela é no sentido literal. No mundo da biocultura imanente digital a fixidez
e a constante são apenas transitórias. Não há constantes,
mas variáveis de variáveis. Sua natureza tem o poder de esticar;
deletar; cortar; torcer; recortar; estraçalhar; explodir; multiplicar;
contaminar. Os instrumentais digitais foram elaborados para potencializar
as capacidades transformadoras. A contemplação transcendente, seja
do belo, seja do sublime cede lugar à interação imanente
participativa e transformadora. Toda produção cultural está
ali para ser destruída, sua duração depende apenas de sua
replicação, pois ela poderá ser alterada, dilacerada e esquartejada
e quando isto acontece surgem novas produções digitais que por sua
vez se conectam a outras , mas quando falamos de produções digitais
falamos de redes. Cada produção digital, pela suas interconecções
imanentes, se envolve numa rede , então pode-se considerar também
que cada interagente possui uma rede de imanência .Redes digitais conectando-se
com redes sinápticas. Imanência de ambas as redes. A cultura da |
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imanência ultrapassa
a relação sujeito-objeto. A rede é transcendental, porém
sem sujeito. O objeto não é mais a coisa, mas apenas fluxos, performances.
Não se trata portanto de fruição de uma obra de arte por
parte do sujeito .O que é importante é que a performance esteja
passando pelas redes não-lineares e que vá das redes digitais às
redes sinápticas e vice-versa. Foi uma nova mentalidade não-linear
que havia inspirado aos construtores e engenheiros digitais a construírem
a interface entre ambas as redes a qual chamaram de hipertexto digital. Ele passou
a ser a condição sine qua non sem a qual não haveria comunicabilidade
não-linear.O hipertexto digital , no entanto não é uma estrutura,
esta é uma visão lingüística transcendente e linear
sobre o hipertexto digital. Ele é uma máquina, uma máquina
digital de performance não-linear baseada na interface do mouse. Ele não
tem nada a ver com texto, mas sim com gatilhos e performances, assim há
dois procedimentos evolutivos nas hipermáquinas:os gatilhos que são
botões que desencadeiam as performances e garantem a não-linearidade
pela simultaneidade extensiva topológica. Os múltiplos gatilhos
constituem assim os campos de comutação, porém no seu desenrolar
tenderão a desaparecer incorporando-se ao próprio desempenho das
performances. As performances são as ações produzidas pelos
interagentes e pelas |
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programações,
no caso desta última encontraremos atores e scripts, mas também
outros gatilhos que executam estas ações. Assim, todas as medias
passam a ser incorporadas às hipermáquinas digitais e também
se tornam pela digitalidade outras máquinas não-lineares: máquinas
imagéticas; máquinas textuais; máquinas musicais; mas também
máquinas simuladoras; máquinas inteligentes; máquinas pensantes;
máquinas emotivas; máquinas vivas. Com o crescimento das redes e
a multiplicação das hipermáquinas digitais conectadas entre
si surge a megahipermáquina digital por onde circulam as performances;
os telecomandos; os valores; os conhecimentos; a educação; as aranhas.
Este é o destino das produções culturais compartilhadas,
que produzem uma desterritorialização nas produções
culturais ampliando a criatividade coletiva e aumentando a heterogenização
cultural. Assim, tem-se uma megaprodução digital formada por múltiplas
produções micrológicas concebidas por diversos artistas,
cientistas, filósofos, ativistas culturais espalhados pelo mundo e que
não se saberia onde uma produção cultural começa e
a outra acaba: 1)compartilhamento com producões culturais já publicadas;2)compartilhamento
dos envolvidos para concepção de uma produção cultural
inédita. Em ambos os casos criando uma rede de crescimento indeterminado.
Além destas hipermáquinas |
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e megahipermáquinas,
há também as máquinas-arquivos que surgiram para preencher
as necessidades de acessibilidade aos conteúdos que se encontram nas redes
digitais. Existem centenas delas, mas apenas algumas são utilizadas pelos
usuários digitais, contudo os máquinas-arquivos não preenchem
sua função principal, elas deixam de cumprir aquilo que elas se
propõem: a acessibilidade sobre qualquer assunto, sobre qualquer matéria
que se encontre conectada à rede. A inacessibilidade acontece pela dificuldade
de se encontrar algo num mundo cujo número de conteúdos sobre
vários assuntos é exponencial e astronômico, mas também
pela forma de classificação e de prioridades que as máquinas-arquivos
produzem, ainda que, para contornar estes limites, algumas funcionem com uma performance
booleana, apesar da maior abrangência continuam sendo insuficientes. Assim,
um volume enorme de materiais digitais está inacessível, apesar
de estar conectado. Só a ponta do iceberg está geralmente disponível,
a maior parte está na profundidade digital a qual poderíamos chamar
de inconsciente digital. Por um lado o inconsciente digital é importante,
pois produz uma opacidade e um alisamento digital na rede que impossibilita o
controle pelos aparelhos de Estado. As polícias digitais só podem
atingir a superfície da rede; por outro lado o inconsciente das redes |
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digitais passa a ser vital
no relacionamento com os agentes da cultura digital, pois novos mecanismos podem
ser estabelecidos para o afloramento dos materiais inacessíveis estabelecendo
uma força transformativa de combate, não nos esqueçamos que
os cripto-anarquismos deram condições para que as mensagens enviadas
pela rede mantivessem sua privacidade.
Outra força que corrobora com isto é a força do gratuito
que vem desestabilizando o capital digital com consequências imprevisíveis
para o mercado mundial. Para cada produto digital a ser comercializado, surge
um fac-símile, às vezes melhor, porém gratuito. Não
se tratam aqui de produtos piratas, mas ao contrário, de produtos elaborados
por programadores ou agentes culturais que não querem vender ou distribuir
seus produtos com alguma forma de pagamento, existem também programas que
além de nada custarem , seus arquivos são abertos possibilitando
assim que todos possam contribuir para o seu desenvolvimento, testemunhando a
força da criatividade coletiva. Tudo isto revela a natureza anarqui-cultural
das redes digitais. Outras formas estão sendo adotadas principalmente nas
áreas da educação. Educação gratuita digital
e mundial, educação a distância que se funda no autodidatismo
e na auto-iniciativa de seus interagentes, desmobilizando ensinos acadêmicos
baseados na disciplina e no |
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controle e geralmente
suportados pelo Estado e pela Igreja. Assim, o anarqui-culturalismo
pode vir a fazer frente, não só à sociedade de
controle como também à sociedade do espetáculo.
A cultura da imanência e da participação imersiva
constituem a possibilidade de uma agonística com respeito aos
mass medias analógicos que bestializam milhares de pessoas
na introjeção de "memes" e de programas sígnicos
com a finalidade perversa de comercialização de seus
produtos. Lembremos que as redes virtuais podem absorver tudo. Não
há um controle do que possa ocorrer, apesar das tentativas
de controlá-la, mas sempre haverão meios e estratégias
de escapar deste controle imposto pela cultura da transcendência,
os hackers multiplicam-se à medida que são controlados.
A natureza das redes é de imanência anárquica.
Ela não pertence a nenhuma nação e a nenhum estado
político. Ela é pura potencialidade. Os sistemas jurídicos
não têm competência sobre ela, pois ela escapa
do domínio dos estados, contudo ela pode absorver modos que
lhe são estranhos sem alterar ou colocar em crise a sua natureza,
assim, ela pode ser tratada de maneira analógica (linear),
neste caso há um achatamento de seu potencial, pois os tratamentos
são lineares e sobrecodificados pelos seus autores ou produtores,
isto ocorre: ou pelo desconhecimento das potencialidade das hipermáquinas,
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ou por simples reprodução
dos comportamentos analógicos com a intenção
de massificação. Em ambos os casos, todo o potencial
que os instrumentos digitais oferecem são desprezados por uma
mentalidade extemporânea que não rompeu com os processos
lineares de pensar permanecendo territorializados no mundo da transcendência;
por outro lado, o avanço tecno-digital e a cultura da imanência
trazem uma outra mentalidade. Ela só pode ocorrer se houver
uma desconstrução nos procedimentos educacionais acadêmicos
e uma desmemetização dos comportamentos e pragmáticas
impostos à subjetividade contemporânea. É de importância
vital que as pessoas saibam produzir as hipermáquinas, os hipertextos
e não apenas manipulá-los. Só haverá uma
nova mentalidade, além da atual baseada na escrita, se houver
um modo de pensar não-linear e para isto é necessário
uma pragmática hipertextual. Os hipertextos deveriam estar
no currículo de todas as escolas primárias do mundo.
Eles são a propedêutica para a cultura digital, daí
a importância de uma política de imanência cultural
que dê condições não apenas da inclusão
digital àqueles que são desfavorecidos, mas principalmente,
da inclusão na cultura digital e isto só pode acontecer
pela pragmática das performances digitais que começam
com o aprendizado dos hipertextos, e também com a |
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acessibilidade às produções
culturais que estão sendo desenvolvidas nas redes. Neste sentido, há
vários eventos como os festivais digitais, que conseguem reunir um grande
número de produções culturais envolvendo a multiplicidade
de acontecimentos que atravessam as redes, oferecendo ao público acesso
às problemáticas atuais que produtores, programadores e pesquisadores
vêm desenvolvendo. Há outros, no entanto, que vêm expondo as
produções digitais como mera novidade e geralmente do prisma da
unicidade analógica da cultura da transcendência. Não nos
iludamos ao achar que o grande público esteja participando destas grandes
mudanças digitais, pois por um lado as condições econômicas
impedem esta aproximação e por outro existe a massificação
imposta a ele principalmente pelos meios de massa que obliteram a inclusão
na cultura digital, apesar de muitas vezes estarem conectados à rede, mas
não na cultura digital, fixos em programas que são produtos dos
mass medias. Várias instituições culturais tradicionais tais
como: galerias, museus, etc., vêm tentando expôr obras virtuais e
quando isto acontece o fazem pelo ângulo transcendente da curadoria. Ora,
estas instituições estão sobre a cultura da transcendência
que opera com uma axiomática cultural, ou seja: com princípios e
com conceitos, baseando-se na autoridade |
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discursiva, nas metanarrativas
e nas metalinguagens. Tanto a crítica de arte como a curadoria operam como
aparelhos de captura cultural na medida em que seus discursos são sempre
metalingüísticos, discursos transcendentes que subsumem aos conceitos,
as obras de arte no intuito de submetê-las, semiotizá-las ao julgo
da autoridade, ao julgo dos axiomas, estando assim as obras e os artistas sempre
em segundo plano e o público submetido à contemplação
passiva mediante de tal espetáculo cultural. A cultura da imanência
opera de outro modo, ela é a cultura do virtual (potência), das redes
digitais na agonística das micronarrativas; ela não opera por aparelhos,
pois são máquinas culturais de guerra de transformação
permanente de todos os códigos. Ao invés de curadorias e curadores
a cultura da imanência opera com organizadores estratégicos que trabalham
não com uma axiomática, mas com uma rede de performances, uma rede
de problemáticas que incrementam a potencialização dos interagentes
e do grande público; ao invés de exposições contemplativas,
propõe-se um ecossistema digital constituído de estratégias
para contextualizar o público nas problemáticas técnico-biodigitais.
Uma rede de performance que entrelaça a apresentação dos
trabalhos dos produtores culturais, da manipulação interativa e
inteligente pelo público, da conversação |
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do público com os produtores,
da apresentação de trabalhos teóricos pelos produtores...Haveria
assim um ambiente ecocultural de imersão interativa oferecendo as condições
de espectadores passivos poderem se transformar em interagentes ativos e assim
produzirem a suas próprias conexões culturais. Os “muitos”
atomizados tornando-se conectados culturamente entre si formando uma nanotecnologia
sociocultural.
Ricardo Barreto e Paula Perissinotto
Organizadores do FILE - festival internacional de linguagem eletrônica |
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